- “Olá eu sou o Manel!”
O filho da Rosa Maria, aquele que trabalha na padaria da Celeste, irmão do mecânico da 5º rua. Este é o Manel.
Todos os dias sai de casa, desce a rua na sua bicicleta amarela e vai fazer pão. São 5.30h da manhã. Lá vai ele, sorrindo para as caras familiares. Mas, apesar do seu sorriso (que combina com a bicicleta), na verdade, o Manel hoje vai triste. Apesar da sua bicicleta amarela, da camisa vermelha, das calças azuis e claro, das meias vermelhas a condizer com a camisa, indicarem exactamente o contrario. Quem olha para aqueles três borrões de cor a descer a rua a (alguma) velocidade, não repara, a menos que de uma bruxa ou de qualquer outro ser punível no santo ofício se trate, na tristeza do Manel.
O porquê dele estar triste? – Não sei, mas posso tentar. Quando há falta de evidências nada melhor do que recorrer a uma LISTA.
Ora bem…
O Manel tem:
-23 anos
-casa
-sabedoria no pão
-emprego no pão
-uma obsessão no pão
-uma bicicleta amarela, que só não é preta porque o amarelo lhe faz lembrar o pão.
O Manel não tem:
-gosto na combinação cromática (o Manel é forte, pode viver sem isso)
-gripe A?
-uma Maria!
O Manel não tem uma Maria, todo o Manel necessita uma Maria. Nada mais obvio.
Descoberta a razão da sua tristeza está já Manel de volta do pão.
São 5.30h da manhã. Lá vai ele. A mesma tristeza, igual à 5 dias. Bicicleta amarela, calças vermelhas, camisa e meias verdes. O mesmo desastre cromático.
D. Celeste está à porta da padaria. Tem cara de poucos amigos e dirige-se ao Manel. Fala-lhe em tom zangado, gesticulando abertamente. O Manel foi despedido. Alegadamente, os fregueses queixaram-se do pão não estar com a forma usual, mas com a forma de Marias.
O Manel está devastado, ele queria era uma Maria e isto não no verdadeiro sentido da palavra (Maria = criatura crente em Deus nosso Senhor, que lava, seca e cozinha com bastante eficiência. Regra geral, é adquirida por Maneis.). O Manel queria era uma Maria para lhe puder fazer pãezinhos e bolinhos. Ela ia gostar, se ia. Depois, até podiam faze-lo juntos.
Após longos minutos de depressão o Manel tem uma ideia. Via abrir a sua padaria com pães e bolos em forma de Marias.
Na terra, uma hora depois, já todos sabem do seu despedimento. A D. Maria das Dores acena ao Manel. Depois de uma longa conversa de confirmação de boatos o Manel conta a sua ideia da nova pastelaria. Passaram 5 minutos. Já toda a gente sabe e ideia do Manel e a D. Celeste está chateada.
Com a noticia espalhada e a D. Celeste chateada, o Manel já não pode voltar atrás.
Começaram as obras na garagem.
Com a data de abertura a aproximar-se aparecem alguns sujeitos à procura de emprego. Depois de ouvidos bastantes, dois ou três, candidatos Masculinos, é a vez da única mulher presente. Aproxima-se. Senta-se. Abre ligeiramente a boca, vai falar.
- “Olá! Eu sou a Maria!”
- “Olá! Eu sou o Manel!”
23.9.09
12.9.09
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